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Importância da Engenharia Clínica para a Segurança do Paciente: gestão de tecnologias em saúde

Entenda como a Engenharia Clínica garante a segurança do paciente: do planejamento à tecnovigilância, passando pela gestão de custos hospitalares.

Tópicos

  • O que é Engenharia Clínica e qual sua relação com a segurança do paciente?

  • Ações práticas da Engenharia Clínica no ciclo de vida dos equipamentos médicos

  • Engenharia Clínica não é só custo: como mudar essa percepção na gestão hospitalar

  • Normativas essenciais para a Engenharia Clínica

  • 📺 Assista à aula completa onde abordo mais sobre o tema:

Hoje em dia, a presença de tecnologias em ambientes de saúde é tão expressiva que se tornou praticamente impossível realizar um atendimento médico sem o suporte de algum dispositivo médico. Desde um termômetro digital ou oxímetro de pulso até sistemas de alta complexidade, como aparelhos de ressonância magnética e aceleradores lineares, a medicina moderna depende intimamente dessas ferramentas.

Diante desse cenário, assim como o paciente exige cuidados contínuos da equipe de assistência, os equipamentos médicos também precisam ser gerenciados e cuidados ao longo de todo o seu ciclo de vida. É exatamente nesse ponto de convergência que a Engenharia Clínica atua como a grande aliada na segurança do paciente.

O que é Engenharia Clínica e qual sua relação com a segurança do paciente?

A Engenharia Clínica é uma das vertentes da Engenharia Biomédica direcionada à integração de conhecimentos de engenharia com a área da saúde, focando especificamente na gestão estratégica das tecnologias em saúde inseridas no ambiente de cuidados. Para compreender sua importância na segurança, precisamos olhar para as duas grandes fases do ciclo de vida tecnológico:

Pré-comercialização: etapa fabril, pesquisa de novos dispositivos médicos, desenvolvimento e fabricação da tecnologia.

Pós-comercialização: compreende desde a entrada do equipamento na instituição de saúde, passando pelo uso até sua desativação e descarte.

Embora o foco principal da Engenharia Clínica resida no gerenciamento de equipamentos médicos, a atuação prática varia por instituição. Em muitos hospitais, o setor também assume o controle de instrumentais cirúrgicos, sistemas de gases medicinais, infraestrutura de suporte e a integração de TI médica.

Ações práticas da Engenharia Clínica no ciclo de vida dos equipamentos médicos

Para mitigar a ocorrência de falhas que possam culminar em erros comuns, eventos adversos, acidentes graves ou até mesmo o óbito do paciente, a Engenharia Clínica desdobra-se em atribuições de alta responsabilidade ao longo da jornada do equipamento, tais como, não se limitando a:

Incorporação tecnológica e planejamento: não deve ser apenas "querer comprar e comprar". Envolve planejamento, análise rigorosa do mercado, elaboração minuciosa de especificações técnicas de compra, testes e pareceres técnicos com o corpo clínico, além do cálculo do Custo Total de Propriedade (TCO) para prever custos ocultos ao longo da vida útil do ativo.

Recebimento, instalação e inventário: assim que o equipamento chega, a engenharia realiza testes de conformidade para validar se o que foi especificado e comprado corresponde exatamente ao hardware entregue. Em seguida, realiza a correta identificação do ativo.

Treinamento e educação continuada: equipamentos excelentes nas mãos de equipes despreparadas geram riscos. A Engenharia Clínica atua na capacitação intensiva e contínua do corpo assistencial: médicos, enfermeiros, técnicos, visando reduzir drasticamente os erros induzidos por uso inadequado.

Programas de intervenção técnica e gestão de riscos: desenvolvimento e execução de cronogramas rigorosos de intervenções técnicas essenciais para a segurança. Isso inclui manutenção preventiva, manutenção corretiva, calibração, ensaios de desempenho, testes de segurança elétrica e qualificações térmicas, determinando prazos e Procedimentos Operacionais Padrão (POPs) claros.

Tecnovigilância: parte fundamental da gestão da qualidade e segurança hospitalar. Consiste no sistema de vigilância pós-mercado focado na investigação, análise de causa e notificação compulsória de queixas técnicas e eventos adversos: incidentes que ocasionaram ou têm potencial de ocasionar dano ao paciente, junto aos órgãos reguladores.

Engenharia Clínica não é só custo: como mudar essa percepção na gestão hospitalar

Um dos maiores desafios da área ainda é romper a velha barreira cultural de ser enxergada pela alta direção apenas como um centro de custo. Para reverter esse paradigma, o profissional precisa adotar uma postura corporativa orientada a dados, evidências e impactos financeiros.

É crucial traduzir o trabalho técnico em métricas de negócios, tais como:

Custo do leito parado, sala cirúrgica e equipamento inoperante: demonstrar como um cronograma eficiente de manutenção preventiva reduz o tempo de leito, sala ou equipamento inativo por falha de equipamentos médicos.

Geração de receita: garantir que ativos operem com máxima disponibilidade.

Retorno sobre o Investimento (ROI): apresentar indicadores de custo por exame, custo por cirurgia e contratos de manutenção avaliados criticamente.

Quando a Engenharia Clínica se posiciona de forma estratégica e alinhada aos objetivos corporativos da instituição, ela deixa de ser vista como despesa e passa a ser reconhecida como um investimento vital para a sobrevivência e robustez do hospital.

Normativas essenciais para a Engenharia Clínica

Não se limitando a:

RDC Anvisa nº 509/2021: dispõe especificamente sobre o gerenciamento de tecnologias em saúde dentro dos estabelecimentos, tornando obrigatória a existência de um plano de gerenciamento estruturado.

RDC Anvisa nº 63/2011: estabelece os requisitos gerais de Boas Práticas de Funcionamento para os Serviços de Saúde no país.

ABNT NBR 15943: norma técnica nacional que dita as diretrizes e os requisitos mínimos para o gerenciamento de programas de equipamentos de saúde.

📺 Assista à aula completa onde abordo mais sobre o tema:

As tecnologias estão cada vez mais presentes na saúde, sendo essenciais para a assistência. Portanto, cada um de nós é responsável por auxiliar na disseminação da área! E se você deseja conhecer, atualizar ou aprofundar seus conhecimentos no universo da engenharia clínica e dos equipamentos médicos, te convido a conhecer a plataforma EDUTS.

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